Mostrando postagens com marcador modernidade líquida. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador modernidade líquida. Mostrar todas as postagens

20 de jan. de 2011

Repaginada

Depois de tanto tempo sem postar nada, resolvi dar uma repaginada no blog, e em breve estarei voltando a pelomenos 1 postagem por mês como no início.

Ideas e reflexões não faltam...apenas o tempo para exprimi-las é que se mantem pequeno, curto, ínfimo. As responsabilidades da "vida adulta", "responsável" , "socialmente aceita" juntamente com carga de trabalho diária nos colocam na usual rotina do trabalhador: de casa para o trabalho, do trabalho para casa( meu amigo Marx que o diga!). E isso gera menos contemplação, menos pensar, menos mudar, menos criar. Por exemplo, tenho trabalho pendente exatamente neste momento, e estou optando por escrever aqui. Todos temos escolhas, e pagamos um preço por nossas escolhas. E manter este ritmo de vida é um erro crasso, um caminhar por uma estrada sem espinhos, nem flores. É o avesso a tudo que acredito, a solidificação da vida, em oposição a nossa sociedade pós-moderna tão líquida, volúvel e inconsistente.

Espero furar-me e deliciar-me com as flores e os espinhos, do caminho que volto a trilhar, o meu caminho.

O caminho da reflexão e do pensamento.

11 de jan. de 2009

Sobre as relações afetivas ou A tragédia líquida

É incrível, a liquidez das relações nos dias de hoje. Em um instante, tudo flores, em outro, adeus. Essa é a forma de se relacionar do ser humano atual.

A ultra-individualização é, juntamente com a quantidade absurda de informação, a grande responsável por essas relações fúteis, superficiais, que se desfazem na mesma velocidade a qual se criam, quase que instantaneamente. E isso gera sofrimento, e com isso, o drama, o trágico.

Neste nosso mundo caótico (aspecto dionisíaco), nada mais natural que a ultra-individualização (este, um aspecto apolíneo) da nossa população e modo de vida. A vida, hoje, reproduz sem a beleza da arte, sem o coro dos sátiros, a tragédia grega. Uma tragédia sem essência, sem recheio, sem razão. Agimos, tolos, como atores e ao mesmo tempo expectadores da grande tragédia chamada vida. E a única redenção, é a morte, seja segundo o existencialismo (Sartre) , o Budo (código de honra japonês) ou qualquer outro tipo de corrente de pensamento que sirva à carapuça.

Devemos, nesta tragédia líquida, identificar quais os elementos que a compõe. As relações de poder socio-cultural e econômico, a individualização do ser, com a consequente indiferença crescente entre homens. A busca pela emoção forte, pela velocidade, pelo radical, pela intensidade, e cada vez mais distante fica a contemplação de nossa existência. Há uma busca incessante por sentimentos cada vez mais fortes...como uma droga em seu mais forte poder viciante, pedindo doses cada vez maiores.Nossos desejos por intensidade são assim como heroína, não basta mais apenas um pico. E, a contemplação, a admiração da existência, do mundo, do próprio amor que a cria, segue em baixa neste nosso século que começou. Sendo está, a essencia do coro sátiro.

Vivemos uma tragédia grega, sem o mais importante na tragédia em sí...A união entre o coro e o público.