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20 de jan. de 2011

Repaginada

Depois de tanto tempo sem postar nada, resolvi dar uma repaginada no blog, e em breve estarei voltando a pelomenos 1 postagem por mês como no início.

Ideas e reflexões não faltam...apenas o tempo para exprimi-las é que se mantem pequeno, curto, ínfimo. As responsabilidades da "vida adulta", "responsável" , "socialmente aceita" juntamente com carga de trabalho diária nos colocam na usual rotina do trabalhador: de casa para o trabalho, do trabalho para casa( meu amigo Marx que o diga!). E isso gera menos contemplação, menos pensar, menos mudar, menos criar. Por exemplo, tenho trabalho pendente exatamente neste momento, e estou optando por escrever aqui. Todos temos escolhas, e pagamos um preço por nossas escolhas. E manter este ritmo de vida é um erro crasso, um caminhar por uma estrada sem espinhos, nem flores. É o avesso a tudo que acredito, a solidificação da vida, em oposição a nossa sociedade pós-moderna tão líquida, volúvel e inconsistente.

Espero furar-me e deliciar-me com as flores e os espinhos, do caminho que volto a trilhar, o meu caminho.

O caminho da reflexão e do pensamento.

3 de fev. de 2009

Sobre a propriedade intelectual (pirataria)

E, hoje, leio algo na Wikipédia que me chama a atenção

"Os críticos temem que blogs não respeitam o copyright ou tenham credibilidade como fonte de notícia à sociedade"

E ai que me ocorreu a ideia de falar sobre a propriedade privada e mais especificamente, da propriedade intelectual.

É de conhecimento quase geral que o "copyright" (literalmente, direito de cópia) "protege" uma obra, seja ela de qual âmbito for, de possíveis plágios e cópias não autorizadas, e são autorizadas mediante os famosos royalties (dinheiro pago pelo uso de "produto" alheio mediante autorização).É a criação comercializada como produto de gôndola. Quase toda a obra cultural humana pode ser submetida ao copyright, músicas, filmes, livros, artigos científicos...todo o tipo de produção intelectual.

Feita essa introdução, vamos ao seu oposto. Usando como fonte a wikipedia, o copyleft é, em oposição ao copyright, resumidamente liberar o uso, manipulação, alteração, e/ou veiculação da produção intelectual.E a intenção é das melhores, deixar livre a outras pessoas que acrescentem a uma obra mais algum valor ou melhoria.

Agora, levando em conta nossos antagônicos copy "left" e "right", vemos que o "dono" de uma obra apenas o é por te-la criado. E é dono de algo virtual, inexistente no mundo físico, no máximo como um CD , DVD (ou blue-ray, mas os mais high-techs) ou uma folha de papel escrita com tinta vagabunda. O abstrato é a obra em sí, e não seu meio físico, logo restringir uma cópia de um CD de música é algo estúpido, pois está se copiando a mídia, e não plagiando a criação de alguém... do ponto de vista de mercado, apenas está fazendo uma gravadora/estúdio de cinema/etc mais pobre do que já estão com a internet hoje em dia.O autor nunca recebe os royalties em sua totalidade ou sequer recebe-os.

E agora chegamos no clímax de hoje: A pirataria

A pirataria tradicional existe a muitos séculos...desde que o homem navegou nos mares, rios e oceanos. Há texto antigos fazendo referencia a piratas chineses no século 5 a.c. que atacavam embarcações mundo afora...da mesma forma que os somalis estavam fazendo até poucos meses atrás.E com a popularização da internet, a pirataria digital também entrou no páreo. Pode se olhar que se está destruindo o mercado...e blah blah blah, mas se faz arte antes dela virar mercadoria, um problema corrente hoje.A propósito, pode-se substituir 'arte" por obra intelectual em qualquer parte deste texto, já que neste caso gozam de mesmo princípio. O problema dos direitos sobre uma propriedade é o fato dela se tornar mercadoria. Um artigo científico, uma música, não são mercadorias, mas são comercializadas como tal. Um músico não cria uma música BOA, DE QUALIDADE , E COM ESSÊNCIA, pensado em vende-la. Pode sim, criar músicas com uma intenção especifica, mas se for apenas um produto, deixa de ser arte.Assim como um cientista faz uma descoberta, escreve um artigo, com o fim de esclarecer o mundo com relação a seu assunto de pauta, e não para vender a patente de uma descoberta para uma empresa.

Certos conhecimentos deveriam ser de uso-fruto comum, e se possível, melhorado pela comunidade global. Essa é a ideia por trás da Wikipédia, de softwares livre como o firefox (browser da internet) e de todo o tipo criação que se veicula pelo meio eletrônico através do copyleft. A cultura democratizada, o acesso a mesma, é a essencia dos piratas virtuais hoje.

E quem nunca baixou um mp3, que atire a primeira pedra, ou me empreste sua mansão para uma festa, porque haja dinheiro.

24 de nov. de 2008

Sobre a cultura de massa

As vezes fico me questionando sobre tudo que faço, penso e crio. Não vejo respaldo para com minhas idéias e ideais, sou muito velho pros jovens e muito moderno(o termo correto seria pós-contemporâneo, mas fica mais inteligível moderno ) para os jovens.

Talvez porque não faço parte do que se chama "cultura de massa" ou "cultura popular tele-radiofônica". Acho toda a forma de expressão válida, e como artista procuro compreender a essência de toda música, só para contar um exemplo.Mas me vem um "tem que valer na cama, pro gozo vira lama" ou um "crew crew crew" e me quebra no meio. É nítido que o conteúdo sexual da música move montanhas, ainda mais em uma linguagem popular a qual é compreendida por todos, quase sem exceção. Agora, por que a banalização do sexo? Há formas de expressão popular muito mais legítimas do que apenas cantar ou "rimar" uma verborragia esdruxula ao sexo, como os sambas de Cartola, Noel Rosa , Ismael Silva, ou os poemas de vinicius, carregados de sexualidade em sua segunda fase, mais "popular".

Posso até fazer o discurso de que é a expressão do povo, e blah blah blah, mas não é. O povo não se expressa. O indivíduo que se expressa e posso assegurar que se ouve (ele) por falta de opção. As músicas desses "artistas" são exatamente como um absorvente, descartavel. As ouvimos pelos carros de som nas ruas (que em nada se assemelham aos Sound Systems jamaicanos, verdadeiros propagadores de cultura e música), e em questão de dois ou três meses, já não ouvimos mais, já foram substituídas por outras de igual vazio músical.

O famoso jabá, é o responsável por essa massificação e planificação cultural. Se o povo tivesse acesso, não ouviria cartola? ou vinicius? ou até mesmo sinatra? ou outros artistas novos, como eu, que se esforçam para criar músicas audíveis e de qualidade?

Eu estou cansado dessa cultura do sexo, da violência, do medo e da opressão. O artista do funk, tem muito mais a falar do que a ladainha sexual ou apológica ao tráfico. O pagodeiro pode muito bem falar de amor, mas sem usar os cliches mais velhos ou simples do mundo da música. Se ele tem dinheiro pra um pandeiro ou um repique, pode comprar um dicionário de rimas. O rapper, pode juntar ambos os argumentos anteriores, o tema e a forma.

Afinal, falta a "aculturação" do povo em sua própria cultura, tão rica e cheia de sabores, que é nosso querido Brasil. A cultura do Brasil é estrangeira ao seus donos mais legítimos, os próprios brasileiros.

Como são pobres os brasileiros, pobres de sua cultura.

25 de mar. de 2008

Sobre o amor

Ah, o amor... algo tão intenso e misterioso, que palavras não descrevem com perfeição, mas um simples olhar já o demonstra.Se pode escrever o quanto quiser sobre o amor, e apenas os seres que já o provaram haverão de compreende-lo.Há um citação interessante sobre ele "O Amor é afim à transcendência;não senão outro nome para o impulso criativo e como tal carregado de riscos, pois o fim de uma criação nunca é certo" (Zygmunt Bauman; Amor Líquido, pág 21). Tantos artistas escrevem, pintam, cantam, criam sobre ele, uns de forma mais frugal, outros levianamente, alem dos profundos e dos medíocres.Mas todos giram em torno do impulso criativo.

Uma cena clássica.O Rapaz escreve poemas a amada, seja ela idealizada, ou real.
Esse impulso criativo, pode vir-a-ser por exemplo um filho, ou manifestar-se como uma música, um quadro, um soneto.O ato de criar é em si um ato de amor.

A benevolência(bem-querer) é uma das principais características do amor.Ninguém haveria de querer mal a uma criação sua, pois assim quer mal a parte de si mesmo; e incluo em criações, o sentimento "amor" e o "paixão" , que são sentimentos individuais criados por um individuo, já que a reciprocidade do amor nem sempre (ou diria quase sempre) está presente.

Há infindáveis formas de amor.O amor doente, possessivo, o amor paternal e maternal, o fraternal, a um amigo ou pessoa próxima, o amor carnal, envolto de desejo e o amor desinteressado, leve, onde a benevolência e a atenção são marcas registradas
Esse é o amor mais puro, que eu como ser humano, conheço neste momento.

O amor em si, como sentimento, é um grande propulsor de ações, ele é a força motriz de toda a revolução, de toda a mudança que este mundo um dia há de passar.E não há sensação mais maravilhosa do que amar e ser amado.Mas não devemos confundir amor com felicidade... já que são coisas complementares, porém diferentes em seu âmago.O amor é nutrido a algo, é direcionado tanto pra fora quanto pra dentro de um ser, melhor, é direcionado de dentro pra fora do ser, mesmo que o amor nutrido seja o amor-próprio, que é amar sua própria imagem, algo que está "fora" do nosso ser, já que, como imagem é apenas uma projeção.

Há tanto mais a dizer sobre o amor, mas as palavras nunca serão suficientes.Nem qualquer outra forma de expressão, senão a própria ação do ser que ama ao ser amado.